Golpe da biometria na entrega: não faça reconhecimento facial no celular de terceiros

Criminosos estão utilizando uma abordagem aparentemente simples para obter imagens do rosto das vítimas: apresentam-se como entregadores e afirmam que precisam realizar uma “confirmação biométrica” para liberar uma encomenda, presente ou benefício. A orientação é clara: não faça reconhecimento facial, selfie ou gravação do rosto no celular de um entregador ou de qualquer desconhecido. O Banco Central alerta para o chamado “golpe do presente”. Nessa fraude, a vítima é informada de que receberá um produto, cesta, brinde ou outro benefício e, no momento da entrega, o criminoso solicita dados pessoais ou uma foto do rosto sob a justificativa de finalizar o cadastro ou confirmar o recebimento. Com essas informações, golpistas podem tentar abrir contas ou contratar empréstimos por meio de reconhecimento facial. Hoje, diversos serviços financeiros utilizam biometria facial como uma das etapas de identificação do usuário. Por isso, imagens e vídeos do rosto podem se tornar dados valiosos nas mãos de criminosos. O problema não se limita a uma fotografia comum. Dependendo do método utilizado, o golpista pode estar realizando uma captura específica para tentar utilizá-la em um processo de autenticação. O próprio Banco Central orienta que as pessoas não permitam que desconhecidos tirem fotografias ou façam vídeos durante supostas entregas, justamente porque esse material pode ser usado para abertura de contas digitais ou contratação de empréstimos por reconhecimento facial. Essa frase deve acender um sinal de alerta. Uma entrega comum não deve exigir que o consumidor coloque o rosto diante da câmera do telefone particular de outra pessoa para realizar reconhecimento facial. Caso exista alguma validação relacionada a uma compra, benefício ou serviço, o procedimento deve ser confirmado diretamente pelo consumidor no aplicativo ou site oficial da instituição responsável, e não em um aparelho apresentado por um desconhecido na porta de casa. Também é importante diferenciar duas situações: algumas plataformas podem utilizar reconhecimento facial para autenticar seus próprios entregadores em seus aplicativos. Isso não significa que o cliente precise fazer biometria no celular do profissional para receber uma encomenda. A recomendação merece ainda mais destaque para pessoas idosas, aposentados e pensionistas, público frequentemente visado por fraudes financeiras. Em 2026, o INSS voltou a alertar que criminosos estavam visitando residências, principalmente de pessoas idosas, apresentando-se falsamente como representantes do Instituto para coletar informações pessoais. O INSS esclareceu que não envia pessoas às residências dos segurados para solicitar esse tipo de dado. Por isso, alguém aparecer em casa utilizando expressões como “INSS”, “prova de vida”, “benefício”, “biometria” ou “atualização cadastral” não é prova de que o procedimento seja legítimo. Ao receber uma encomenda ou presente inesperado, desconfie de qualquer exigência fora do procedimento normal de entrega. Não forneça senhas, códigos recebidos por SMS, documentos ou dados bancários e, principalmente, não permita fotografias, vídeos ou reconhecimento facial no aparelho de terceiros. Se o entregador alegar que a validação é obrigatória, não faça o procedimento naquele momento. Entre diretamente no aplicativo ou site oficial da loja, transportadora, banco ou órgão público e confirme a informação por conta própria. No caso de encomendas, a Receita Federal também recomenda que o consumidor trate pagamentos e demais procedimentos somente nos sites e aplicativos oficiais das empresas responsáveis. A Receita alerta ainda que possuir dados corretos da vítima — como nome, CPF, endereço ou informações da compra — não torna uma mensagem ou abordagem automaticamente verdadeira. Caso a pessoa tenha fornecido sua imagem ou realizado reconhecimento facial em situação suspeita, é importante agir rapidamente. O Banco Central recomenda entrar em contato com a instituição financeira envolvida assim que uma operação desconhecida for identificada. Se a pessoa não souber em qual banco eventualmente foi aberta uma conta em seu nome, é possível consultar o Relatório de Contas e Relacionamentos (CCS) pelo Registrato do Banco Central. Também é recomendável registrar boletim de ocorrência. Além disso, devem ser verificados extratos bancários, empréstimos, descontos consignados e movimentações não reconhecidas. Seu rosto também é um dado pessoal. Não entregue sua biometria a desconhecidos e não permita que terceiros façam reconhecimento facial em aparelhos que você não controla. Quando uma biometria for realmente necessária, procure você mesmo o aplicativo ou site oficial da instituição. Na dúvida, não faça. Confirme primeiro.Por que uma simples foto pode representar risco?
“Preciso fazer a biometria para receber sua encomenda”
Atenção especial de aposentados e pensionistas
Como se proteger
E se eu já tiver feito a biometria?
Uma regra simples pode evitar grandes prejuízos
IPSEMC
